PRINCÍPIOS

Христос и грешница 2011 Миронов Андрей
Сирота 1886 А.Галлен-Каллела
Отец возвращается, 1870 Корзухин
Жница 1966 Васильев Константин
Ангел Михаил, 1893 Васнецов
Адам, Микеланждело
Young Navigators 1880 Jozef Israëls

1. A liderança autêntica deve basear-se numa verdadeira antropologia, que abranja a aretologia ou ciência das virtudes.

A virtude é um hábito da mente, da vontade e do coração, que permite alcançar a excelência e a eficácia pessoais. A liderança está intrinsecamente ligada à virtude. Primeiro, porque a virtude gera confiança – a condição sine qua non da liderança. Em segundo lugar, porque a virtude (virtus, em latim) que significa “força” ou “poder” aumenta a capacidade de ação do líder. A virtude permite ao líder fazer o que se espera dele.

2. A essência da liderança encontra-se na magnanimidade e na humildade, que são principalmente virtudes do coração.

A magnanimidade consiste no hábito de lutar por grandes ideais. Os líderes são magnânimos nos seus sonhos, nas suas visões e no sentido de missão, mas também na capacidade de colocarem desafios a si mesmos e àqueles que os rodeiam. A humildade é o hábito de servir os outros; envolve mais puxar do que empurrar, ensinar mais do que mandar e inspirar mais do que repreender. Assim, a liderança é menos uma demonstração de poder do que uma transferência de poder para os outros. Praticar a humildade é fazer ressaltar a grandeza que existe nas outras pessoas e descobrir-lhes todo o seu potencial humano. Nesse sentido, os líderes são sempre professores, pais/mães, que servem aqueles que os seguem. A magnanimidade e a humildade são virtudes “específicas” dos líderes e, juntas, constituem a “essência” da liderança.

3. A liderança é um ideal de vida, porque as virtudes específicas que lhe são afetas – magnanimidade e humildade – são, elas próprias, ideais de vida.

As duas virtudes estão intrinsecamente ligadas num único ideal: o da dignidade e da grandeza do homem. A magnanimidade constata a dignidade e grandeza próprias; a humildade faz-nos conscientes da dignidade e grandeza dos outros. A magnanimidade (ou grandeza de coração) e a humildade são fruto de uma efetiva apreciação do valor do homem; a pusilanimidade e o orgulho surgem de uma falsa apreciação do valor do homem. A pusilanimidade (ou mesquinhez de coração) impede o conhecimento próprio, e o orgulho impede a compreensão dos outros. A liderança é um ideal de vida, que reconhece, assimila e propaga a verdade sobre o homem.

4. As virtudes da prudência (sabedoria prática), coragem, autodomínio e justiça, que são principalmente virtudes da mente e da vontade, constituem o fundamento da liderança.

A prudência potencia a capacidade do líder para tomar decisões corretas. A coragem permite-lhe manter o empenho inicial e resistir firme a pressões de todo o tipo. O autodomínio ajuda-o a subordinar as emoções e paixões ao espírito, e a orientar a sua energia vital para o cumprimento da missão. A justiça impulsiona-o a dar a todos o que lhes é devido. Se estas quatro virtudes, chamadas cardeais, não são a essência da liderança, são antes o seu alicerce; sem elas não existe liderança.

5. A humildade é o hábito de viver na verdade.

Viver na verdade é conhecer a nossa condição de criaturas (humildade metafísica), bem como os nossos defeitos pessoais e limitações naturais (humildade espiritual). Também significa reconhecer a dignidade e a grandeza da pessoa (humildade ontológica), e os seus talentos e virtudes (humildade psicológica). A humildade como atitude de fundo permite o autoconhecimento. A humildade fraterna (o serviço) é o ponto alto da liderança, a prudência, a coragem, o autodomínio e a justiça são o seu alicerce, e a humildade fundamental é a pedra angular.

6. Os líderes não nascem, fazem-se.

A virtude é um hábito adquirido através da prática. A liderança é uma questão de carácter (virtude, liberdade, desenvolvimento) e não de temperamento (biologia, condicionalismo, inércia). O temperamento pode favorecer o crescimento de algumas virtudes e dificultar o desenvolvimento de outras. Mas chega uma altura em que o carácter do líder (força moral que impede que sejamos escravos da biologia) se impõe de tal maneira ao seu temperamento, que o temperamento deixa de o dominar. O temperamento não é um obstáculo para a liderança, ao contrário da falta de carácter.

7. O líder não o é em virtude da sua potestas ou poder inerente ao seu cargo / funções, mas graças à sua auctoritas que procede do carácter.

Aqueles que usam a potestas para liderar, falta-lhes a verdadeira autoridade, são líderes só no nome. É um círculo vicioso: os que não têm autoridade (auctoritas) tendem a abusar do poder (potestas), o que desgasta a autoridade e acaba por bloquear o caminho à verdadeira liderança. Liderar não tem nada a ver com posição, lugar, ocupar o cimo da pirâmide. Liderança é uma forma de ser que qualquer pessoa pode viver, seja qual for o seu lugar na sociedade ou em qualquer organização.

8. No crescimento das virtudes, entram em ação o coração, a vontade e a mente.

Com o coração contemplamos a virtude, apercebemo-nos da sua beleza intrínseca e desejamo-la ardentemente. Com a vontade desenvolvemos o hábito de atuar virtuosamente. E com a mente, pomos em prática simultaneamente todas as virtudes, prestando especial atenção à virtude da prudência – que é o guia das outras virtudes.

9. Ao praticar as virtudes, os líderes tornam-se maduros nos seus julgamentos, nas suas emoções e no seu comportamento.

Os sinais dessa maturidade são a autoconfiança, a coerência, a estabilidade psicológica, a alegria, o otimismo, a naturalidade, a liberdade e a responsabilidade, e a paz interior. Os líderes não são céticos nem cínicos, são realistas. O realismo é a capacidade de alimentar as nobres aspirações da alma, apesar de nossas fraquezas pessoais. Os realistas não se rendem à fraqueza, superam-na pela prática das virtudes.

10. Os líderes rejeitam uma abordagem utilitarista da virtude.

A virtude não é algo que se cultive pela mera eficiência que produz na realização de tarefas. Ela é cultivada em primeiro lugar para nos realizarmos como pessoas. A eficiência é apenas uma das muitas consequências da virtude.

11. Os líderes praticam uma ética de virtude, e não uma ética baseada em regras.

A ética de virtudes não nega a validade das regras; afirma antes que a essência da ética não são as regras. As regras estão ao serviço da virtude. A ética de virtude está na base da criatividade do líder, e faz com que ela prospere.

12. Especificamente, a prática das virtudes cristãs da fé, esperança e caridade tem um forte impacto na liderança.

Estas virtudes sobrenaturais elevam, reforçam e transformam as virtudes naturais da magnanimidade e da humildade, que são a essência da liderança e as virtudes naturais da prudência, coragem, justiça e autodomínio, que constituem a sua base. Nenhum estudo sobre liderança seria inteiramente completo se não tivesse em conta as virtudes sobrenaturais.