JÉRÔME
LEJEUNE
(1926-1994)

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.30

Alexandr Suvorov

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.41

Alexandr Solzhenitsyn

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.48

Madre Teresa

Screen Shot 2018-10-01 at 14.46.53

Martin Luther King

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.09

Edouard Michelin

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.14

Joan of Arc

Screen Shot 2018-10-01 at 14.47.22

Thomas More

mini-akino

Corazon Aquino

“Garantir a verdade científica e a maior verdade moral que dela flui: essa é a minha missão”.

Jérôme Lejeune é um grande exemplo de liderança no campo da ciência.

Jérôme Lejeune foi o geneticista francês que, em 1958, identificou o problema genético responsável pelo Síndrome de Down; tratava-se uma cópia extra do cromossoma 21.

A pesquisa e a orientação clínica de Jérôme Lejeune mudaram a vida de muitas pessoas. Ele cuidou de milhares de crianças com síndrome de Down e ajudou milhares de pais a amar os seus filhos afetados por essa alteração genética.

Lejeune era magnânimo. Logo após a sua descoberta, que abriu caminhos inteiramente novos na genética, começou a sua luta pela causa pró-vida. As suas descobertas em genética levaram-no a compreender e a confirmar a dignidade incondicional do ser humano. Lejeune criou uma cultura da vida no coração de uma cultura da morte, que se espalhou na Europa e na América no final dos anos 60.

Lejeune, considerado o pai da genética moderna, tornou-se um dos líderes morais do movimento pró-vida no mundo. Defendeu a dignidade da vida humana numa época em que os tribunais e os parlamentos estavam a usurpar o direito divino de determinar quem deve viver e quem deve morrer.

Para Lejeune, a legalização do aborto não era só moralmente censurável, mas também  um ataque contra a ciência. A genética demonstrou que no exato momento em que o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide, toda a informação genética que define o indivíduo que daí nasce fica logo inscrita, na sua totalidade, na primeira célula. Após a fertilização nenhuma nova informação genética entra num ovo, em fase posterior. A ciência genética conclui que um ser humano não pode ser um ser humano se não for concebido inicialmente como um ser humano. As leis que legalizam o aborto baseiam-se numa teoria da evolução embrionária. Esta teoria afirma que o embrião não é uma vida humana, mas que só mais tarde se torna uma vida. Esta teoria é falsa, é uma ideologia sem qualquer base na ciência genética.

Jérôme Lejeune disse a verdade corajosa e incansavelmente. Afirmou: “A vida é um facto e não um desejo… Se uma lei é tão basicamente errada a ponto de declarar que ‘o ser humano embrionário não é um ser humano’ – nesse caso, Sua Majestade a Rainha da Inglaterra, durante os seus primeiros 14 dias de vida, teria sido apenas um chimpanzé – essa lei não é lei. É uma manipulação da opinião e nada tem a ver com a realidade. Ninguém é obrigado a aceitar a ciência. Pode dizer-se: “Bem, nós preferimos ser ignorantes, recusamos absolutamente qualquer novidade e qualquer descoberta”. É um ponto de vista. Eu diria até que é um ponto de vista “politicamente correto” nalguns países, mas é um ponto de vista obscurantista. E a ciência detesta o obscurantismo “.

Perante o relativismo moral e o ceticismo intelectual tão dominantes na sua e na nossa cultura europeia, a causa de Lejeune parecia condenada desde o início. Mas o realismo de Lejeune estava inspirado numa formidável esperança.

Lejeune praticou não apenas a virtude da magnanimidade, mas também a humildade, que é a segunda virtude específica dos líderes. Humildade tem a ver com serviço. Lejeune foi um bom servidor da humanidade e dos seus colaboradores. Inspirou e continua a inspirar pessoas de boa vontade, pessoas que não são indiferentes às verdades científicas e morais. Vinte anos depois da sua morte, Lejeune ainda desperta a grandeza nas pessoas, ajudando-as a compreender e a saborear essa bela verdade científica: um ser humano é um ser humano desde o momento da sua conceção: um ser humano não é um chimpanzé e nunca foi um chimpanzé.

Lejeune vivia a magnanimidade e a humildade. E também as virtudes da coragem. De facto, Lejeune foi um modelo de resistência na batalha pela vida humana. Com a sua descoberta em 1958, ele tornou-se mundialmente famoso e foi nomeado como possível destinatário do Prémio Nobel. Mas Lejeune amava mais a verdade do que o Prémio Nobel, e terá sido certamente por isso que ele não o ganhou… Pelo contrário, por aí começou a sua longa e solitária subida ao Calvário. Nas reuniões, foi verbalmente agredido e, às vezes, fisicamente. Deixou de receber convites para conferências internacionais sobre genética. O financiamento para a sua investigação foi cancelado. E foi mesmo forçado a dissolver o seu laboratório e a sua equipa de investigação. Assim, um homem que aos 38 anos se tornara o mais jovem professor de medicina da França e que garantiu a primeira cadeira de Genética Fundamental nesse país, um homem que tinha um futuro brilhante à sua frente, cheio de honras, reconhecimento e poder, encontra-se, no auge da sua vida, sem colaboradores, sem financiamento, sem o próprio espaço do gabinete. Foi abandonado por amigos, achincalhado pela imprensa, e transformado num pária social. Mas aceitou esse estado de coisas com toda a serenidade e com a alegria de não ter dado passagem ao mal. Morreu no Domingo de Páscoa, em 1994, após uma doença breve mas dolorosa, que começou na quarta-feira da Semana Santa.

Lejeune inspirou muitas pessoas. Em 1989, Balduíno, o rei da Bélgica, procurou o conselho de Lejeune, quando o Parlamento estava prestes a legalizar o aborto. No final da conversa, o rei perguntou: “Professor, importava-se se rezássemos juntos por um momento?”. Alguns meses depois, o rei Balduíno abdicou do seu trono em vez de assinar uma lei que legalizava o aborto.

O trabalho e o testemunho de Lejeune causaram muito impacto.

Bernard Nathanson, fundador, em 1969, da “Liga Nacional de Ação pelos Direitos ao Aborto”, tornou-se ativista pró-vida nos anos 80. É frequentemente citado pela sua afirmação de que o aborto é “o holocausto mais atroz da história dos Estados Unidos”.

Norma McCorvey, que foi a autora do processo americano Roe v. Wade, que levou à descriminalização do aborto nos EUA, em 1973, tornou-se ativista pró-vida nos anos 90. E confessou: “Quando vi um dia a foto de um pequeno embrião de 10 semanas de idade, disse a mim mesma: é um bebé! Foi como se umas palas me caíssem dos olhos e eu de repente entendesse a verdade – é um bebé! O aborto significa crianças a ser mortas no seio da mãe. Todos aqueles anos eu tinha andado enganada.  Enganada a trabalhar numa clínica de abortos. O aborto – em qualquer momento – estava errado. Foi tudo tão claro! Dolorosamente claro.”

As histórias de Bernard Nathanson e de Norma McCorvey mostram-nos que Lejeune não trabalhou em vão. Lejeune será para sempre um dos maiores líderes com valores no campo da ciência.